Pandemia

30 de junho de 2020

Em três meses, 7,8 milhões de pessoas ficaram desocupadas e R$ 11 bilhões deixaram de circular

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Do total, 5,8 milhões são informais. A perda na massa de rendimento - que somou R$ 206,6 bilhões - é de 5%.

A pandemia continua expulsando trabalhadores do mercado e provocando recordes de desemprego no País. A Pnad Contínua do trimestre (março-abril-maio) mostra que o grupo que permanece fora da força de trabalho ganhou mais 9 milhões de pessoas no último trimestre, e soma hoje, 75 milhões de pessoas. Desse grupo, 5,4 milhões são desalentados: pessoas que perderam seus empregos mas não procuraram outro, um grupo que cresceu 15,3% no trimestre. O total de desocupados hoje, segundo a pesquisa, é de 7,8 milhões de pessoas, a grande maioria - 5,8 milhões -, são trabalhadores informais. 

É, segundo a analista do IBGE Adriana Beringuy, a maior a queda da população ocupada, que pela primeira vez é menos da metade - 49,5% - da força de trabalho. “Essa redução acentuada da ocupação trouxe como uma das principais consequências, uma redução da massa de rendimentos de 5%, ou R$ 11 bilhões de reais a menos circulando na economia”, explica. O diretor técnico do Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese), Fausto Augusto Junior, diz que os número do trimestre mostram impactos da pandemia quase totalmente concentrados entre os que ganham menos e estão mais desprotegidos. “O rendimento habitual cresceu porque os que permaneceram trabalhando são os que ganham mais e a taxa de informalidade baixou porque muitos informais pararam”, diz. 

As perdas de vagas foram maiores entre os empregados sem carteira assinada no setor privado, que hoje são 9,2 milhões de pessoas, 2,4 milhão de pessoas (-20,8%) a menos do que no trimestre anterior. Os índices que medem a ocupação no mercado informal também mostram perdas: o número de trabalhadores por conta própria caiu para 22,4 milhões de pessoas (8,4%) frente ao trimestre anterior. Esse movimento provocou uma redução de 3% na taxa de informalidade, que ficou em 37,6% da população ocupada.

Os números seguem batendo recordes: na taxa composta de subutilização: 27,5%, elevação de 4% em relação ao

Fausto Augusto Júnior (Dieese)
“A taxa de desemprego não reflete mais a realidade. O que mostra a realidade do mercado é o aumento expressivo dos que saíram da força de trabalho”

Adriana Beringuy
(IBGE)

“Essa redução acentuada da ocupação trouxe como uma das principais consequências, uma redução da massa de rendimentos de 5%, ou R$ 11 bilhões de reais a menos circulando na economia”

trimestre anterior; da população subutilizada, que cresceu 13,4% e atingiu 30,4 milhões de pessoas, 3,6 milhões de pessoas  mais do que nos três primeiros meses do ano. O número de empregados formais - com carteira de trabalho

assinada e proteção das leis trabalhistas - caiu para 31,1 milhões pessoas, número 7,5%  menor, representando 2,5 milhões de pessoas.

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MÍDIAS

Organização

Associação Brasileira de Advogados e Advogadas Sindicais (ABRAS)

Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho (DIESAT)

Departamento de Direito do Trabalho e da Seguridade Social da Faculdade de Direito da USP

Produção executiva

Instituto Macuco (www.institutomacuco.com.br)