Pandemia

11 de novembro de 2020

Comunicação caótica e apagão de números

Em consulta realizada no último dia 12 de maio, havia uma diferença de quase mil casos de contaminação e de 19 óbitos entre os dados apresentados pelo Painel Coronavírus do MS em comparação com os dados da Sala de Apoio à Gestão  estratégica (SAGE), também do MS. Na consulta realizada no último dia 02 de junho, ilustrada na Tabela 1, a diferença é de quase 25 mil de contaminados a mais e cerca de mil óbitos a menos, segundo o Painel Coronavírus em comparação com os dados da SAGE. Foi também identificada uma diferença superior a 200% entre o valor registrado no Painel de Leitos e Insumos

Covid-19 e o Cadastro Nacional de Estabelecimentos de Saúde (CNES), mantido pelo mesmo MS sobre o número de leitos de UTI destinados ao atendimento de pacientes da Covid-19. A fim de eliminar a hipótese de que a Plataforma de Insumos pudesse apresentar o número total de UTI, foram somados o valor correspondente a todos os tipos de UTI que constam na plataforma do CNES, incluindo as da UTI Covid-19, e verificou-se que os valores referentes ao total de UTI disponíveis no país também não coincidem com o apresentado pelo Painel de Leitos e Insumos Covid-19. 

DESACERTOS

Casos e óbitos de Covid-19, nº de leitos de UTI Covid-19 e total de leitos de UTI

*somados todos os leitos de UTI adulto incluindo queimados e coronarianos. **somados os leitos pediátricos e neonatais. Fontes: Painel de Leitos e Insumos Covid-193 de acordo com as diferentes fontes de dados do MS.

Consulta realizada em 02.06.2020

  O governo federal tem, desde o início da pandemia, agido de forma a combater medidas de enfrentamento à covid-19 implantadas pelos Estados e que o presidente Jair Bolsonaro considera "covardes". Nos últimos dias provocou uma grande polêmica ao anunciar, de forma distorcida e por meio de nota da Anvisa definida como "terrorista" por alguns comentaristas da mídia, informações a respeito da morte de um voluntário para os testes da vacina Coronavac, desenvolvida pelo Instituto Butantã em parceria com um laboratório chinês e defendida pelo seu desafeto político, o governador do Estado de São Paulo, João Doria.

  Ao mesmo tempo, os registros dos números da doença levantados pelos Estados vivem um apagão - ao menos 14 Estados da Federação, incluindo São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro, onde há o maior número de contágios, estão com dificuldades e acessar a plataforma do Ministério da Saúde desde quinta-feira passada (05/11). 

  Os pesquisadores da Rede de Pesquisa Solidária acompanharam os registros de internações nas UTIs e encontraram "lacunas e disparidades enormes" nas taxas de ocupação e também no número de leitos disponíveis. "Essa falta de transparência impede uma avaliação precisa da capacidade de atendimento da população e da viabilidade de medidas de flexibilização que estão atualmente em curso", afirmam. 

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