Pandemia

15 de maio de 2020

Em meio à crise, Ministério da Saúde inicia testes para covid-19 em 133 cidades

FOTO: Erasmo Salomão/AGÊNCIA BRASIL 

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A queda do ministro
Nelson Teich
, que citou o estudo na sua fala de despedida do
cargo na tarde de hoje, gerou dificuldades nesse início de inquérito nacional

  A queda do ministro da Saúde, Nelson Teich, que pediu exoneração hoje por divergir do presidente Jair Bolsonaro, está criando dificuldades para o início da testagem prevista pelo maior estudo de prevalência da Covid-19 do mundo. Desde ontem e durante todo o final de semana, pesquisadores do Ibope Inteligência estão visitando 99.750 pessoas de 133 municípios, que a partir de agora serão “cidades sentinelas” para covid-19 no País, para coleta e realização de um teste rápido para a doença. Coordenada pelo Centro de Pesquisas Epidemiológicas da Universidade Federal de Pelotas (UFPel) com financiamento do Ministério da Saúde, a pesquisa foi testada em um projeto piloto no Rio Grande do Sul, que divulgou essa semana os resultados da terceira fase de testes.

  Segundo informações da assessoria de imprensa da UFPel, os comunicados não chegaram a tempo em algumas cidades. O contrato com a UFPel foi assinado ainda na gestão de Luiz Henrique Mandetta, e mantido durante o curto período de Teich, que embora não tenha se pronunciado especificamente ao estudo da UFPel, defendia a realização de testes em larga escala como uma estratégia essencial no controle da doença. Teich identificou "um plano de" testagem como a contribuição que deixa ao país em sua despedida do cargo. Neste momento, os pesquisadores trabalham para resolver as pendências e dar continuidade ao estudo.

FOTO: DIVULGAÇÃO/ASCOM UFPel

CRISE: Ministro da Saúde Nelson Taich em pronunciamento hoje à tarde, em que informa a sua exoneração

Estudo vai testar quase 100 mil pessoas no País

  A pesquisa irá levantar a proporção de pessoas com anticorpos para a Covid-19 e analisar a evolução de casos na população brasileira, por meio de uma amostragem de participantes nas cidades sentinelas (maiores municípios das divisões demográficas do país, de acordo com critério do IBGE); determinar o percentual de infecções assintomáticas ou subclínicas; avaliar os sintomas mais comuns; obter cálculos precisos da letalidade da doença; estimar recursos

hospitalares necessários para o enfrentamento da pandemia, além de permitir o desenho de estratégias de abrandamento das medidas de distanciamento social com base em evidências científicas. 

  Segundo o coordenador geral do estudo, que também é reitor da UFPel, Pedro Hallal, as estatísticas oficiais - baseadas em casos confirmados - são apenas a “ponta do iceberg”. “Queremos conhecer a real proporção de pessoas atingidas pela infecção”, explica.O estudo tem três fases de testes, que são realizados na mesma base populacional. A primeira começou ontem (14/05) e vai até domingo (16/05). Serão testadas e entrevistadas 250 pessoas em cada uma das 133 cidades, escolhidas por meio de um sorteio aleatório, utilizando os setores censitários do IBGE como base. São três sorteios: 25 setores censitários são sorteados com base em critérios estatísticos. Dentro dos setores, os domicílios são definidos por sorteio aleatório, e, por fim, dentro dos

domicílios, é realizado novo sorteio para definir o morador que irá realizar o teste.

  Os agentes, treinados e também testados e com resultado negativo para Covid-19, devidamente protegidos, coletam uma gota de sangue na ponta do dedo. O resultado sai em 15 minutos. Os casos positivos são encaminhados para acompanhamento e suporte da secretaria de saúde do município. Os familiares desse caso positivo também são testados. No Rio Grande do Sul, a pesquisa confirmou o tamanho da subnotificação – entre nove e 12 vezes – e uma desmobilização crescente das pessoas com relação ao distanciamento social.

  A coordenação garante que as informações coletadas serão tratadas de forma anônima e os respondentes não serão identificados, de acordo com as normas éticas internacionais sobre pesquisas em saúde (com exceção da Vigilância Sanitária, caso o resultado do teste seja positivo).

DÚVIDAS: Escreva para

pesquisa.covid-19@ ibopeinteligencia.com, ou

pesquisa.covid-19@ufpel.edu.br.

TESTE UTILIZADO: WONDFO SARS-CoV-2 Antibody Test: avalia anticorpos produzidos pelo organismo após a infecção de cerca de duas semanas antes da coleta -- e não identifica o vírus ativo logo após o contágio.

CRONOGRAMA : 2ª Fase: 28 e 29 de maio; 3ª Fase: 11 e 13 de junho
TOTAL DE PESSOAS TESTADAS: 100 mil pessoas.

No Rio Grande do Sul, começa a 3ª fase nesse final de semana. Leia aqui

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Organização

Associação Brasileira de Advogados e Advogadas Sindicais (ABRAS)

Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho (DIESAT)

Departamento de Direito do Trabalho e da Seguridade Social da Faculdade de Direito da USP

Produção executiva

Instituto Macuco (www.institutomacuco.com.br)