Pandemia

02 de junho de 2020

Desempregados somam mais de 17 milhões

São 12,8 milhões de desempregados e 5 milhões de pessoas empurrados para fora da força de trabalho pela crise

FELIPE VITE

FOTO DIVULGAÇÃO/IBGE

Com novos números da PNAD Contínua (fevereiro, março e abril) e do novo CAGED, o quadro real do desemprego no Brasil vai começando a aparecer. Embora a PNAD mostre 12,6% de taxa de desocupação (12,8 milhões), muitas pessoas que perderam emprego durante a pandemia não entraram neste número. São quase 5 milhões de pessoas definidas como “força de trabalho potencial”, o que indica um aumento de 1,9 milhões de pessoas no trimestre móvel de fevereiro até abril. São pessoas que não estão ocupadas nem desocupadas, mas que possuem potencial para se transformarem em força de trabalho.

De acordo com Gustavo Cavarzan, economista do DIEESE, para o IBGE considerar alguém como desempregado, é preciso preencher dois critérios. "Um deles é você não estar trabalhando e outro é você estar procurando trabalho". Isso explica o aumento significativo de pessoas fora da força de trabalho. Ainda na fala de Cavarzan, essa nomenclatura diferente ainda esconde algumas coisas. Por causa da pandemia, a população que perdeu emprego e não teve condições de procurar outro, seja por quarentena ou por falta de oportunidades acarretadas por essa crise, é considerada como força de trabalho potencial. Por isso o crescimento na taxa de desocupação não é tão alto como o cenário indica.Já em relação aos empregos formais apenas, o novo CAGED aponta índices históricos de encerramento de postos de trabalho.

DESAMPARO - fila de pessoas em busca de trabalho 

Somando março e abril, são mais de 1,1 milhão de vagas fechadas.

Ainda de acordo com Cavarzan, apenas dois anos nos últimos dez mostraram índices negativos: "Nos anos de crise, em abril de 2015 foram 97 mil postos fechados e 62 mil em abril de 2016, esse dado de agora de 860 mil postos fechados (apenas em abril de 2020) é realmente muito significativo". O número de demissões aumentou em 17,2% enquanto as admissões caíram em 56,5% em relação a abril do ano passado. Embora apresente uma queda intensa nos setores de Serviço e Comércio, todos os setores apresentaram queda em empregos. Apenas um setor foi na

contramão e apresentou aumento no número de pessoas ocupadas. A administração pública contratou mais, mas isso pode ser atrelado às contratações de mais médicos, enfermeiros e outros profissionais da Saúde, para o combate da covid-19. "Essas duas pesquisas indicam aquilo que já havíamos comentado antes (leia aqui) sobre um represamento na elevação do número da taxa de desemprego, e que deve chegar nos próximos meses, mas que o fechamento dos postos de trabalho já é muito significativo e indica uma intensa deterioração do mercado de trabalho." - encerra Gustavo Cavarzan.

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Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho (DIESAT)

Departamento de Direito do Trabalho e da Seguridade Social da Faculdade de Direito da USP

Produção executiva

Instituto Macuco (www.institutomacuco.com.br)