TRECHO SUPRIMIDO DO TEXTO A HORA DA VERDADE
(páginas 34 a 38 da Revista do Congresso 2019/2020)

NEM BOM, NEM RUIM. PELO CONTRÁRIO


A pesquisa mais recente é a realizada por pesquisadores e estudantes do Grupo de Pesquisa Trabalho e Sociedade (GETS) e da Rede de Estudos e Monitoramento Interdisciplinar da Reforma Trabalhista (REMIR), sob a coordenação de Maria Aparecida Bridi e mostra um paradoxo na percepção dos trabalhadores. Os questionários tiveram uma distribuição mais ampla, e a amostra colhida é formada por uma maioria de mulheres e de profissionais da educação. De maneira geral, eles reclamam da falta de interação social com colegas, das demandas fora de hora, com consequente aumento de horas trabalhadas, e da dificuldade em separar vida doméstica da profissional, mas gostam do tempo que ganham por não precisar fazer deslocamentos e do aumento da convivência familiar. 

Os questionários foram respondidos por 906 trabalhadores e investigaram tipo de trabalho que realizam; segmento, setor e categoria a que pertencem; condições ergonômicas, técnicas e dos equipamentos para a realização do trabalho remoto;

dificuldades e facilidades; alteração na jornada de trabalho, salário e contrato durante a pandemia; e  experiência com o trabalho remoto. O grupo apresentou análise dos dados a partir de três recortes, que mostram o teletrabalho na educação, compara as condições de trabalho remoto no setor público e no privado, e avaliam a situação das mulheres que aderiram ao home office. O perfil dos trabalhadores que responderam é semelhante nos três recortes. Na área da educação, a maioria dos trabalhadores em teletrabalho são mulheres (67,9%), casadas (45,4%), com idade entre 31 e 50 anos (66,4%), com filhos (60%) e atuam como professoras (93,1%). Tem alta qualificação – 40% tem doutorado e 29,4%, são mestres – e ocupam a função ou cargo há mais de 10 anos (47,3%). Com relação às condições objetivas de trabalho, a grande maioria (53,8%) dispõe de cadeira e mesa adequados, mas não conta com um local específico para a realização do trabalho. Mais da metade (59,9%) está trabalhando em ritmo mais acelerado durante a pandemia, por mais de oito horas diárias (44,3%) e sem folgas semanais: 35,1% trabalham sete dias

por semana. Muitos – 70,8% - afirmam terem tido dificuldades e as reclamações mais frequentes são demandas fora de hora (53,1%), falta de interação com os colegas (50%), dificuldades em separar a vida doméstica da atividade profissional (47,7%) e interrupções mais frequentes (45,4%). 

Dos 906 respondentes, 595 estão empregados no setor público e desses servidores, a maioria também é de mulheres (68,07%), com idade entre 30 e 50 anos (71,72%), casadas (48,74%) e com filhos (61,68%). A maioria (74,7%) tem vínculo estatutário e trabalha na previdência (30,42%) e na educação (37,98%) e pouco mais de 75% tem mais de cinco anos de casa. Quase metade relata um aumento do volume de trabalho (46,55%). A principal diferença entre os servidores e os trabalhadores do setor privado é que estes últimos tiveram menos gastos pessoais e mais recursos oferecidos pelo empregador do que os servidores. A análise dos dados a partir do gênero mostra diferença significativa apenas na percepção do trabalho remoto e revela o desequilíbrio na divisão de trabalhos domésticos e de cuidado com os filhos.

Organização

Associação Brasileira de Advogados e Advogadas Sindicais (ABRAS)

Departamento Intersindical de Estudos e Pesquisas de Saúde e dos Ambientes de Trabalho (DIESAT)

Departamento de Direito do Trabalho e da Seguridade Social da Faculdade de Direito da USP

Produção executiva

Instituto Macuco (www.institutomacuco.com.br)